terça-feira, novembro 04, 2008

Romeu e Julieta: ato 3, cena II

"And when I shall die,
Take him and cut him out in little stars,
And he will make the face of heaven so fine
That all the world will be in love with night
And pay no worship to the garish sun."

Bonito, né? Qualquer tentativa de tradução de minha parte deixaria uma lacuna no significado deste trecho, que na verdade é uma fala da Julieta, na qual ela expressa toda sua admiração e amor por Romeu. Por isso, se alguém não captou a mensagem, saiba que worship é adoração, veneração, culto e garish é algo como pomposo, ontentativo, que chama a atenção. Como neste caso o adjetivo é para o sol, eu imaginei algo como "sol brilhante". Ou seja, se Romeu se transformasse em estrelas, ele faria com que todos se apaixonassem pela noite e não ligassem mais para o sol brilhante.

Essa melação toda é para dizer que estarei em cartaz por 10 minutos na sala Martins Pena do Teatro Nacional neste sábado e domingo (8 e 9 de novembro) com o espetáculo Romeu e Julieta, numa montagem do Ballet Brazil. Eu danço só o jazz, no início do espetáculo (os 10 minutos), depois vem a montagem clássica propriamente dita. Estão todos convidados.

Estou muito cansada devido a jornada tripla que estou fazendo nessa última semana antes da apresentação (STJ + meninas + ensaio). Mas amo muito tudo isso, como sempre. Os ensaios, apesar de cansativos, são muito engraçados e descontraídos. Minha professora até ensinou uma palavra nova na semana passada, que me ajudará a dançar cada vez melhor. Ei-la:
Verbete: plexo
S. m.
1. Anat. Denominação genérica de rede de vasos, nervos, ou nervos e gânglios, no sistema nervoso autônomo.

O engraçado é que minha professora usa essa palavra num sentido que não tem nada a ver com o do Aurélio. É como se fosse a parte de cima do tórax, mais especificamente entre o peito e o pescoço. É essa parte do corpo que ela usa para nos encorajar uma postura bacana, quase que de superioridade, que dá o tom da coreografia que ela montou. O tronco deve estar bem colocado, a cabeça levemente inclinada para cima, quase que num gesto de elegência enobe. Quando ela pede para colocarmos o plexo em ação, levantar ou abrir o plexo, a sala toda se transforma. Até que funciona.

Bom, nosso snap Romeu e Julieta, como a "tia" gosta de falar, mostrará um pouquinho dessa história linda, complexa e dramática. Em 10 minutos ela foi capaz de começar a história pelo fim, ou seja, pela morte de Julieta, passando pelo encontro dos dois na festa, a briga de Romeu com o primo de Julieta e voltando para morte do casal que no fim vive junto no paraíso. Missão quase impossível (Romeu e Julieta em 10 minutos!) que ela cumpriu com muita criatividade e talento.

Por isso, estarei na sala Martins Pena nesse fim de semana, com todo o meu plexo, o que quer que isso seja.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Traduzindo a rotina.
obs: sugiro ler o post anterior primeiro

Cinco e meia da manhã: despertador toca. Num pulo estou de pé, me perguntando o porquê disso. Mas estou de pé. Xixi, dentes escovados, rosto lavado, hidratante, filtro solar, desodorante, perfume, roupa, sapatos, lancheira da criança, minha própria lancheira, não me preocupo com cabelo nem maquiagem. Crachá, chave do carro, elevador, garagem, caminho do trabalho, CBN, roleta, chave da sala e pronto. Às seis e quarenta e cinco estou em frente ao computador.
Internet, e-mail, chá de hortelã, reunião, documento, e-mail de novo. Pensa, digita, programa, compila, não roda, corrige, opa! deu certo, beleza. Tudo resolvido, chave do carro, caminho de casa, almoço, minhas filhas queridas. Ótimo, são 13 horas e estou em casa. Brincadeira, sacola, natação de uma, natação da outra, mamãe na piscina, banho de uma, banho da outra, jantinha no prato. Cadê o papai? Chegou! Tchau meninas, tchau amor.
Ufa! Nem mãe, nem mulher, nem profissional. Respiro fundo, porque, apesar do cansaço, agora são 19 horas e eu quero ser só bailarina. Barra de cereal, música, suor, ensaio, ensaio, ensaio, all that jazz. Galera, já são quase 21 horas e preciso ir embora, até amanhã. Casa, banho, lanche, enfim sós! O depois ainda não caiu na rotina.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Peraí, que fui ali e já voltei!

Último post: 10 de abril de 2006. Dois anos e tal. Nunca é tarde... A novidade é que não estou grávida. Sim, porque depois de dois anos isso era o mais provável.

E o que mudou? Meu cabelo cresceu dois anos, estou dois anos mais esperta, a umidade de Brasília baixou mais dois anos, o Gui comprou dois anos de CDs, minhas filhas cresceram dois anos, eu gosto dois anos mais dos meus amigos e ganhei três tesouros: mais uma filha, um afilhado e uma sobrinha. Ao mesmo tempo, é muito engraçado ver que tem coisa que realmente não muda, quem já leu todos os posts deste blog (desde agosto de 2005) entenderá. A estante do Gui está cheia de pocket books novos, temos todas as temporadas de Lost e adquirimos e assitimos até a 4ª temporada de 24 horas. Ou seja, continuamos viciados nessas porcarias americanas e perdendo o sono por causa disso. Continuo dançando e amando chorinho. O que mudou mesmo foi a minha rotina, assunto a ser tratado no próximo post (amanhã).

Agora, se aos 27 anos eu já reclamava da flacidez, não vou nem comentar o estado da matéria hoje, a menos de uma semana para o fatídico 5 de outubro de 2008, dia das eleições municipais. O que tornará esse dia histórico não serão as eleições, mas meu aniversário de 30 anos. Com corpinho de 29 e 11 meses, olha a vantagem. Se a vida de fato começasse aos 40, quanta coisa boa eu teria perdido. Ainda bem que a minha começou no dia em que nasci e tenho aproveitado essa passagem pela terra desde então. Tá, eu gostaria de mudar algumas coisas, mas venho fazendo o melhor que posso dentro daquilo que minha cabeça dura permite.

Enfim, me deu uma vontade súbita de escrever e vim aqui me visitar. Se alguém passar por aqui por esses dias, já aviso que não garanto posts novos (amanhã tem) nem nada parecido com regularidade, mas se tiver alguma coisa legal para contar, eu publico aqui. Quem sabe daqui uns dois anos...

Bem-vinda de volta, eu mesma!

segunda-feira, abril 10, 2006

Um sorriso a quem por aqui passar
Ah... Que findes gostoso! Visita de amigos que amo, passadinha lá no Emaús com direito a crepe (lógico!) na companhia de outros amigos que amo e que não me podem faltar, início da Semana Santa, consulta médica com a notícia de que eu e Ana estamos muito bem, almoço em família (e dá-lhe risoto!). Ótimo! A não ser pelas... Ai! Duas injeções, uma sábado e outra domingo. No bumbum. As duas do mesmo lado. Corticóide. A agulha em si já não me assuta mais, dureza é o tanto que arde depois. Essas intramusculares são as mais doloridas, mas passa logo.
O que foi medida de emergência (gestação da Elis), agora é medida preventiva. Breve explicação... O corticóide serve, em última instância, para acelerar o amadurecimento dos pulmões do feto. Assim, caso nasça prematuro, terá menos problemas respiratórios. No caso da Elis, quando a Dra. Sônia viu que a gestação não duraria mais que alguns poucos dias, depressa me aplicou o corticóide. De fato, tendo em vista a prematuridade extrema da primogênita, ela não apresentou grandes problemas respiratórios. Mas por que com a Ana, se ela não deve nascer prematura?
Devido o tipo de corte utilizado na cesárea da Elis, chamado corporal, não poderei entrar em trabalho de parto nunca mais. Por isso, a Ana terá que nascer um pouco antes das 40 semanas normais de uma gestação. Provavelmente nascerá com 38 semanas. Nesta idade gestacional já não se considera prematuro, mas é bom que o pulmão esteja muito bem. Então, corticóide.
Prefiro não pensar nos efeitos colaterais do medicamento e sim nos benefícios que causou à minha amada filha. Além disso, nunca é demais seguir as recomendações da Dra. Sônia que, com sua conduta de excesso de zelo, já me salvou uma vez e, quiçá, à minha filhinha também.

Não costumo colocar fotos no blog, mas me sinto tão bem que queria mostrar um sorriso a quem por aqui passar. Essa foto foi tirada no carnaval deste ano. Aproveitem a carinha sapeca da Elis também.
Uma santa Semana Santa a todos.

quinta-feira, março 30, 2006

Obrigada, Diana!

Após meses sem acessar este blog para ver os comentários, nem tampouco para escrever, eis uma grata surpresa. A Diana colocou um comentário e me deu vontade de escrever. Espero que ela me visite aqui novamente. Saudades!

E então? Por onde começo? Acho que primeiro é bom deixar claro que não deixei de escrever por falta de assunto, mas por excesso de preguiça. Coisa feia! Tratava de tantos assuntos aqui que agora tenho vontade de abordar um pouquinho de cada um. Só para atualização. Afinal de contas, em quase 4 meses de ausência, muita coisa aconteceu.

Começarei pelo mais importante. Pense numa barriga grande. É a minha. Não cheguei a ficar deste tamanho na primeira gravidez. Sinto o peso do terceiro trimestre gestacional. Agora é de verdade, graças a Deus. Se alguém ainda não sabe, a Elis terá uma irmãzinha. A xará do blog está a caminho: Ana, sem o bela, pelo menos no nome.

A Elis está tagarela. Começou a construir as primeiras combinações entre as palavras e repete tudo o que dizemos. Zemos. O máximo para mim foi um dia em que fui à manicure e tinha uma senhora sentada a meu lado, falando ao telefone. Fone. A Elis repetia o fim de cada palavra quando a mulher terminava uma frase. Fase! Morri de vergonha. Egonha...

Lembram de um post aqui no blog em que falei sobre o livro do Gui? Pois é. The Bourne Identity não tem fim. É certo que ele leu um ou dois livros inteiros depois de ter começado o dito cujo, mas está rendendo muito. Pelo menos estamos há tempos sem comprar pocket books.

Quanto a mim, estou grávida e ponto final. Não faço mais nada desde o fim do ano. Parei de dançar para minimizar as chances de complicar esta gravidez. Assim que possível eu voltarei. Parei também com as aulas de música. Isto foi uma outra decisão. De qualquer forma eu teria de parar no meio do semestre (devido o nascimento da Ana) e repetir a teoria toda. Achei melhor ficar em casa de vez - salvo o tempo em que estou no STJ - para desfrutar bastante da companhia de minha primogênita. Está uma delícia!

Falei do Gui, falei de mim... Está faltando alguma coisa... Friends! Como falei, este post é para atualização. Assim sendo, comunico que estamos utilizando parcimoniosamente nossos DVDs da décima temporada. Medo de acabar. :)
Se bem que devo admitir uma traição. Estou viciada em outro seriado: LOST. O Gui ainda não teve chance de assitir, mas acho que não faz muito o tipo dele. Ainda assim, já está programada a aquisição da primeira temporada. Muuuuuito bom! Por falar em DVD, a Elis não nega o sobrenome. Também tem o seu favorito: Cocoricó. Se deixar, é o dia todo assistindo aquelas galinhas cantando.

No mais, viajamos para Natal, arrumamos o quarto das meninas, assinamos o Discovery Kids, decorei todas as músicas do Cocoricó 1 e já compramos o Cocoricó 2.

- Elis, quer brincar?
- Não.
- Quer lanchar?
- Suco!

Depois do suco...

- Quer brincar?
- Não.
- O que você quer?
- Códodois!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Asas de borboleta

Meu-Deus-do-céu! Caí na besteira de assistir a mais um show do Hamilton de Holanda. Claro que não é uma besteira, ele é simplesmente o máximo. O problema está em sentir que a gente é pior que o cara, só porque ele tem um terceiro braço, chamado bandolim. Imagine duas horas de show, clube do choro lotado, platéia hipnotizada pela beleza das músicas e sem entender como ele consegue fazer tudo aquilo sozinho. Parece que o cérebro dele está dentro do instrumento. Não consigo descrever o que vi. Encontrei algumas palavras a respeito deste artista, que achei muito verdadeiras:

"A palhetada de Hamilton, ao mesmo tempo em que é vigorosa e definitiva, é tão delicada, mal roçando as cordas, que o ouvinte pode pensar que a palheta é feita de asas de borboleta....Suas frases são bonitas, diferentes, modernas, coerentes, consoantes e dissonantes, e sempre só acabam no ponto em que ele quer: são suas escravas, é ele quem manda nelas."
Carlos Eduardo Armando Campos

Cada um na sua. Provavelmente ele não sabe dançar...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Grávida? E daí? Qual a diferença?

Ontem pude constatar mais um ponto da incompreensão humana acerca do assunto gravidez. Sempre ouvimos dizer, e eu já experimentei na pele, que uma mulher grávida é muito diferente da mesma mulher se não o estiver. Aceitar que alguém (aka marido, chefe) te olhe torto, achando que algum comportamento seja só capricho, é compreensível, embora muito chato. Não há como convencer do contrário. Agora, a própria grávida não reconhecer que passa por mudanças, é demais.

Para variar, estou em meio a ensaios. A apresentação será no próximo sábado e eu assumi o compromisso de colaborar com o grupo. Alguns motivos me fizeram aceitar o convite, gosto muito da coreógrafa e me pareceu que ela precisava do máximo de gente possível, percebi seu esforço em ajustar horários por minha causa e sempre estou aí para o que der vier quando se trata de dançar, numa boa. Aceitei.

Foi um (grande) erro. Não colocarei em questão o cansaço físico, que é diferente, sim, mas que não me atrapalha neste momento. O problema é o que se passa em minha mente e em meu coração. Ah, isso sim é diferente.

Ontem percebi que não estou aí para o que der e vier pelo prazer de dançar. Não grávida, eu achava plausível chegar em casa todos os dias com alguma dor e ter de passar pela agonia das bolsas de gelo no joelho. Aliás, o gelo era só para ajudar a curar e ter a certeza de que no dia seguinte estaria lá, ensaiando, talvez me machucando mais, para ter de colocar mais gelo. Era ótimo. Sem gosto pelo sofrimento, é só uma questão de paixão. Custo x benefício, sabe? Simplesmente valia a pena.

Com o bebezinho na barriga, é diferente... Não me pergunte o motivo, mas não queria estar lá, ensaiando. Odiei ver mais uma veia aparente em minha perna (essa está mais feia que todas), não acho que valha a pena deixar meu joelho roxo, detonado, só para fazer um rolamento legal e quero meu braço de volta, sem dor. Prefiro não dançar, sacou?

Nunca imaginei que chegaria a pensar dessa forma. Por isso aceitei. E já falei que foi um erro. Ignorei a possibilidade de mudar com a gravidez e acabou acontecendo. Agora já era. Compromisso assumido, vou até o fim. Nasci assim.